A <em>Rohde</em> ameaça fechar
«Qualquer solução que precipite o afastamento dos trabalhadores da empresa levaria ao seu isolamento», alertou o PCP, que desafiou o Governo a defender os empregos.
A falência é ilegítima porque a empresa sempre foi rentável
«Qualquer solução que precipite o afastamento dos trabalhadores da empresa levaria ao seu isolamento e enfraquecimento», alertou, dia 15, num comunicado, a Direcção da Organização Regional de Aveiro do PCP (DORAV), perante a iminência do fecho da multinacional alemã de calçado, em Santa Maria da Feira, e a ausência de medidas do Governo para o evitar.
Acompanhando a situação desde os primeiros sinais da crise, a DORAV considerou que o processo «configura uma falência ilegítima», uma vez que a fábrica sempre foi rentável, com elevados níveis de produção, e salientou que só em unidade é possível enfrentar a ameaça.
No plenário de segunda-feira, os trabalhadores decidiram interromper a vigília em defesa do património da empresa, após o administrador alemão ter garantido que, até ao próximo fim-de-semana, não sairia material da fábrica e que o dinheiro para pagar os salários – avaliados em cerca de 700 mil euros -, ou virá da Alemanha, através de empréstimos à banca, ou da venda de material da unidade portuguesa.
Com esta garantia, as operárias decidiram suspender a vigília iniciada dia 16.
A administração ainda tentou retirar material avaliado em 150 mil euros, argumentando que a sua venda seria para pagar salários, mas os trabalhadores exigiram um comprovativo do pagamento, que não lhes foi apresentado. As operárias indignaram-se e decidiram manter a vigília até segunda-feira.
A CGTP-IN recomendou às operárias que «não aceitem soluções individuais».
Alertas ignorados
Já no dia 9, numa nota de imprensa, a DORAV exigiu o pagamento dos salários, lembrando como as denúncias feitas atempadamente pelo PCP foram ignoradas pelo Governo. Salientava-se o despedimento de centenas de trabalhadoras nos últimos anos e que a empresa recorreu, «de forma ilegítima e continuada» ao lay-off, aumentando os ritmos de trabalho unilateralmente e pressionando, com ameaças e processos disciplinares, as que não os cumprissem.
Esta realidade provocou «instabilidade e medo», no propósito de provocar a desmobilização», à semelhança dos atrasos nos pagamentos dos salários.
A Organização Regional do PCP participou, em solidariedade, na manifestação, na Feira, dia 15, da Rohde até à Câmara Municipal e preparou o encontro, anteontem, da eurodeputada do PCP, Ilda Figueiredo com as trabalhadoras.
Para a DORAV, «a unidade e a firmeza das trabalhadoras serão determinantes para garantir os empregos».
Solidariedade imediata
No dia 13, o Grupo Parlamentar do PCP apresentou um requerimento ao Governo, na Assembleia da República.
O deputado do PCP, Jorge Machado, desafiou o executivo a revelar o que sabe sobre a situação; que conhecimentos tem sobre os impactos da insolvência da casa-mãe na unidade da Feira; que garantias tem o Governo de que a multinacional alemã pagará os salários; que apoios recebeu durante os anos em que permaneceu em Portugal, com que objectivos e contrapartidas, e que medidas está o Governo disposto a tomar para garantir a sua manutenção e os postos de trabalho.
No Parlamento Europeu, Ilda Figueiredo solicitou, dia 15, à Comissão Europeia que esclareça se tem conhecimento dos problemas com a Rohde, na Alemanha, do seu processo de falência e dos reflexos no plano social. Pretendeu saber que medidas serão tomadas para salvaguardar o emprego com direitos, tendo em conta que não há alternativas de emprego na zona e que um jornal alemão afirmou que a Rohde pretenderá deslocalizar a produção para a China.
A complacência do Governo
Há 31 anos em Santa Maria da Feira, a Rohde recebeu, recentemente, fundos públicos para a sua modernização, mas há anos que reduz pessoal. Também encerrou a unidade que tinha em Pinhel, atirando para o desemprego 300 trabalhadoras, perante a total complacência do Governo.
Além da unidade portuguesa, a Rohde tem fábricas na Alemanha e na Áustria, sendo a portuguesa a maior e mais produtiva.
A decisão da vigília que se prolongou até segunda-feira foi aprovada no plenário de dia 16, depois de a administração ter anunciado a entrada da casa-mãe, na Alemanha, em situação de insolvência, sob gestão judicial, ficando dependente de financiamentos bancários.
Nesse dia, também foi cumprido um dia de greve e as trabalhadoras deslocaram-se à Câmara Municipal, onde exigiram apoio da autarquia.
O ministro da Economia, Manuel Pinho, afirmou que o Governo está a acompanhar a situação mas não anunciou qualquer iniciativa para evitar os despedimentos.
Acompanhando a situação desde os primeiros sinais da crise, a DORAV considerou que o processo «configura uma falência ilegítima», uma vez que a fábrica sempre foi rentável, com elevados níveis de produção, e salientou que só em unidade é possível enfrentar a ameaça.
No plenário de segunda-feira, os trabalhadores decidiram interromper a vigília em defesa do património da empresa, após o administrador alemão ter garantido que, até ao próximo fim-de-semana, não sairia material da fábrica e que o dinheiro para pagar os salários – avaliados em cerca de 700 mil euros -, ou virá da Alemanha, através de empréstimos à banca, ou da venda de material da unidade portuguesa.
Com esta garantia, as operárias decidiram suspender a vigília iniciada dia 16.
A administração ainda tentou retirar material avaliado em 150 mil euros, argumentando que a sua venda seria para pagar salários, mas os trabalhadores exigiram um comprovativo do pagamento, que não lhes foi apresentado. As operárias indignaram-se e decidiram manter a vigília até segunda-feira.
A CGTP-IN recomendou às operárias que «não aceitem soluções individuais».
Alertas ignorados
Já no dia 9, numa nota de imprensa, a DORAV exigiu o pagamento dos salários, lembrando como as denúncias feitas atempadamente pelo PCP foram ignoradas pelo Governo. Salientava-se o despedimento de centenas de trabalhadoras nos últimos anos e que a empresa recorreu, «de forma ilegítima e continuada» ao lay-off, aumentando os ritmos de trabalho unilateralmente e pressionando, com ameaças e processos disciplinares, as que não os cumprissem.
Esta realidade provocou «instabilidade e medo», no propósito de provocar a desmobilização», à semelhança dos atrasos nos pagamentos dos salários.
A Organização Regional do PCP participou, em solidariedade, na manifestação, na Feira, dia 15, da Rohde até à Câmara Municipal e preparou o encontro, anteontem, da eurodeputada do PCP, Ilda Figueiredo com as trabalhadoras.
Para a DORAV, «a unidade e a firmeza das trabalhadoras serão determinantes para garantir os empregos».
Solidariedade imediata
No dia 13, o Grupo Parlamentar do PCP apresentou um requerimento ao Governo, na Assembleia da República.
O deputado do PCP, Jorge Machado, desafiou o executivo a revelar o que sabe sobre a situação; que conhecimentos tem sobre os impactos da insolvência da casa-mãe na unidade da Feira; que garantias tem o Governo de que a multinacional alemã pagará os salários; que apoios recebeu durante os anos em que permaneceu em Portugal, com que objectivos e contrapartidas, e que medidas está o Governo disposto a tomar para garantir a sua manutenção e os postos de trabalho.
No Parlamento Europeu, Ilda Figueiredo solicitou, dia 15, à Comissão Europeia que esclareça se tem conhecimento dos problemas com a Rohde, na Alemanha, do seu processo de falência e dos reflexos no plano social. Pretendeu saber que medidas serão tomadas para salvaguardar o emprego com direitos, tendo em conta que não há alternativas de emprego na zona e que um jornal alemão afirmou que a Rohde pretenderá deslocalizar a produção para a China.
A complacência do Governo
Há 31 anos em Santa Maria da Feira, a Rohde recebeu, recentemente, fundos públicos para a sua modernização, mas há anos que reduz pessoal. Também encerrou a unidade que tinha em Pinhel, atirando para o desemprego 300 trabalhadoras, perante a total complacência do Governo.
Além da unidade portuguesa, a Rohde tem fábricas na Alemanha e na Áustria, sendo a portuguesa a maior e mais produtiva.
A decisão da vigília que se prolongou até segunda-feira foi aprovada no plenário de dia 16, depois de a administração ter anunciado a entrada da casa-mãe, na Alemanha, em situação de insolvência, sob gestão judicial, ficando dependente de financiamentos bancários.
Nesse dia, também foi cumprido um dia de greve e as trabalhadoras deslocaram-se à Câmara Municipal, onde exigiram apoio da autarquia.
O ministro da Economia, Manuel Pinho, afirmou que o Governo está a acompanhar a situação mas não anunciou qualquer iniciativa para evitar os despedimentos.